Ela não entendia por que as crises tinham voltado com mais força. Ninguém tinha perguntado quantos cafés ela estava tomando desde que trocou de emprego.
Coração disparado, falta de ar, formigamento, certeza de morte iminente. Muita gente vai parar no pronto-socorro antes de saber o nome do que sentiu.
Ela vivia preocupada o dia inteiro, e uma vez por mês tinha episódios de pavor absoluto que pareciam vir do nada. Eram dois problemas, não um só.
Quanto mais ofegante ela ficava, mais tonta e apavorada se sentia. Ninguém tinha explicado que a própria respiração acelerada estava alimentando a sensação de estar morrendo.
A escola achava que era manha para faltar aula. Era uma crise de pânico real, e ninguém tinha pensado nessa possibilidade numa criança de dez anos.
Ela não saía sozinha havia oito meses. O primeiro passo do tratamento não foi o shopping que ela mais temia — foi a calçada em frente à própria casa.
Ela parou de ir ao mercado depois de uma crise lá dentro. Meses depois, o problema não era mais o mercado — era qualquer lugar de onde fugir fosse difícil.
Aconteceu no meio de uma reunião importante. Ela saiu correndo para o banheiro e passou o resto do dia com medo de ter que explicar o que os colegas viram.
Ele repetia 'eu vou morrer' com uma convicção que assustou todo mundo ao redor. Ninguém sabia o que fazer, e a maioria fez exatamente o que piora.