A reunião foi tranquila. Os três dias imaginando cenários catastróficos antes dela, não.
Ela reclamava de dor de barriga toda segunda de manhã, sempre antes da prova. O pediatra não achou nada errado. O problema não estava no intestino.
Ela fez exame de coração, de tireoide, de tudo. Tudo normal. O médico disse 'é ansiedade' como se isso significasse que não era nada. Era, sim — só que de outro tipo.
Resolvida uma preocupação, a próxima já estava pronta para ocupar o lugar. Não era sobre nenhum problema específico — era sobre não conseguir parar de se preocupar.
Ela reescreveu o mesmo e-mail onze vezes antes de enviar. Não era sobre qualidade. Era sobre o terror de alguém achar que ela não é boa o suficiente.
Você passou o dia inteiro funcionando. Aí deita, apaga a luz, e é como se alguém abrisse um arquivo com tudo que deu errado desde 2014.
Ela entrava no aplicativo 'só por cinco minutinhos' e saía uma hora depois, comparando a própria vida com recortes editados da vida alheia.
Seu coração acelera, as mãos suam, o pensamento some. Entenda a neurociência por trás da ansiedade — e por que ela é real, não drama.