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Ansiedade em crianças raramente parece medo — costuma parecer dor de barriga

AutorEquipe Não É Só Você
Publicado02 de setembro de 2026
Tempo de Leitura3 min de leitura

Crianças raramente dizem "estou ansiosa". Ansiedade infantil costuma se disfarçar de outras coisas — dor física, birra, recusa, comportamento que parece desobediência — e isso atrasa o reconhecimento do que realmente está acontecendo.

Por que aparece diferente em crianças

Crianças pequenas não têm vocabulário emocional desenvolvido para nomear "estou ansioso com a prova de amanhã". O que sentem sai pelo corpo — dor de barriga, dor de cabeça, náusea — ou pelo comportamento — birra antes de sair de casa, choro desproporcional, recusa em dormir sozinha, apego excessivo a um dos pais.

Pais e professores, sem saber reconhecer esses sinais como ansiedade, costumam interpretar como manha, teimosia ou problema físico sem causa aparente — o que os leva a médicos que não encontram nada errado fisicamente, sem que ninguém pense em investigar o componente emocional.

Sinais que merecem atenção

Queixas físicas recorrentes sem causa médica identificada, principalmente antes de situações específicas (escola, prova, separação dos pais); dificuldade de dormir sozinha, mesmo em idade em que isso já era resolvido; recusa persistente de ir à escola; perfeccionismo extremo com medo desproporcional de errar; necessidade de reasseguramento constante ("tudo vai dar certo, né?" repetido várias vezes); irritabilidade fora do padrão habitual da criança.

Por que forçar a situação sem preparo costuma piorar

Empurrar uma criança ansiosa para a situação temida sem apoio — "para de drama e vai" — tende a intensificar o medo e ensinar que os próprios sentimentos não são levados a sério, o que dificulta que ela peça ajuda da próxima vez.

Por outro lado, evitar completamente a situação temida também reforça o padrão: a criança aprende que evitar é a única forma de se sentir segura, o que tende a expandir a lista de coisas evitadas ao longo do tempo.

O que costuma ajudar

Nomear o sentimento por ela, quando ela ainda não consegue. "Parece que você está com medo de errar na prova" dá à criança um vocabulário que não tinha.

Validar sem confirmar catástrofe. "Eu entendo que você está nervoso" é diferente de "você tem razão em ter medo, pode dar tudo errado mesmo".

Manter expectativa de que ela consiga enfrentar, com apoio. Reduzir gradualmente o suporte conforme ela ganha confiança, em vez de resolver tudo por ela ou exigir enfrentamento total de uma vez.

Não transmitir a própria ansiedade dos pais sobre a situação. Crianças absorvem o nível de alarme dos adultos ao redor — pais visivelmente ansiosos sobre a mesma situação tendem a intensificar a ansiedade da criança.

Manter rotina previsível. Ansiedade infantil costuma responder bem a estrutura e previsibilidade no dia a dia.

Quando procurar avaliação

Se os sinais persistem por semanas, interferem na rotina escolar ou familiar, ou causam sofrimento visível na criança, vale avaliação com psicólogo infantil. Diagnóstico e intervenção precoces tendem a evitar que padrões de ansiedade se consolidem e se intensifiquem na adolescência e na vida adulta.

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Para ir além

Se quiser se aprofundar no tema, Ansiedade — Augusto Cury é uma leitura de referência bem avaliada por quem já leu.


Este texto é informativo e não substitui avaliação de profissional de saúde. Se você está em sofrimento intenso, o CVV atende de graça, 24h, no 188 e em cvv.org.br. Em risco imediato, procure o SAMU 192 ou o pronto-socorro mais próximo.

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