Ele não contou para ninguém por dois anos. Achava que, se falasse, seria internado para sempre. O silêncio doeu mais do que a voz em si.
Ele se sentia bem havia meses e concluiu que não precisava mais do remédio. É o raciocínio mais comum antes de uma recaída — e o mais compreensível.
'Ele é esquizofrênico' e 'ele tem esquizofrenia' parecem dizer a mesma coisa. Não dizem — e a diferença afeta como a própria pessoa se vê.
Não é dupla personalidade, não é sinônimo de violência e não é sentença de internação. O que é, de fato, costuma surpreender quem só conhece pelo cinema.
Ninguém entrega um manual quando o diagnóstico chega. A família fica assustada, confusa, e sem saber o que é urgência e o que pode esperar.
Ele não ouvia vozes há meses. E ainda assim mal saía do quarto, mal falava, mal parecia interessado em nada. A família não entendia por que ele não 'melhorava'.
Ele achava que o diagnóstico tinha fechado a porta do mercado de trabalho para sempre. Sete anos depois, mantinha um emprego estável — com ajustes que fizeram toda diferença.