O que fazer (e não fazer) quando alguém do seu lado está tendo uma crise de pânico
Presenciar uma crise de pânico alheia é assustador mesmo para quem já sabe do que se trata. A reação mais comum de quem está por perto — tentar acalmar rápido, minimizar, ou entrar em pânico junto — costuma piorar a situação em vez de ajudar.
O que evitar
"Se acalma" ou "não é nada". Frases assim, ditas com boa intenção, costumam soar como invalidação para quem está no meio de uma crise real. O corpo da pessoa está genuinamente em alarme; dizer que não é nada não muda a fisiologia em curso.
Fazer perguntas complexas. "O que você comeu hoje? Isso já aconteceu antes? Você está tomando algum remédio?" — tudo isso pode esperar. No pico da crise, capacidade de processar informação está reduzida.
Entrar em pânico junto. Reação de alarme de quem está por perto tende a confirmar, para quem está em crise, que a situação é de fato perigosa.
Levar direto ao pronto-socorro sem necessidade, quando já se sabe que é crise de pânico. Isso não significa nunca buscar ajuda médica — significa que, se a pessoa já tem diagnóstico conhecido, uma ida desnecessária pode reforçar o ciclo de associar crise a emergência médica.
O que ajuda de verdade
Ficar por perto, com calma visível. Sua própria tranquilidade funciona como sinal externo de segurança, mesmo sem palavra nenhuma.
Falar devagar e em frases curtas. "Estou aqui. Vamos respirar juntos." Frases simples são mais fáceis de processar durante o pico da crise.
Guiar a respiração pelo exemplo, não pela instrução complicada. Respirar visivelmente devagar ao lado da pessoa, com ênfase na expiração mais longa que a inspiração, ajuda mais do que instruções técnicas.
Lembrar a ela (e a você) que crises de pânico têm pico e passam. Não é frase de conforto vazia — é informação fisiológica real: a maioria das crises atinge o auge em cerca de dez minutos e depois diminui.
Perguntar o que ajuda especificamente essa pessoa, quando ela já teve crises antes. Muita gente com transtorno do pânico já sabe o que funciona para si — água gelada, ar livre, contato físico ou justamente o oposto, espaço sem toque.
Depois que a crise passa
A pessoa costuma ficar exausta, envergonhada ou assustada depois de uma crise, mesmo tendo passado bem por ela com ajuda. Evitar comentários como "nossa, que exagero" ou minimizar o que aconteceu ajuda a reduzir a vergonha que costuma vir junto.
Se for a primeira crise da pessoa, ou se ela nunca teve avaliação médica, vale sugerir com gentileza que procure um profissional depois — não para "resolver na hora", mas para investigar o quadro com calma.
Quando é emergência médica de verdade
Dor no peito muito intensa e persistente, desmaio, confusão severa ou sintomas neurológicos localizados (fraqueza de um lado do corpo, fala arrastada) não são características típicas de crise de pânico e merecem avaliação médica imediata — mesmo em quem já tem diagnóstico conhecido de transtorno do pânico, porque nem toda dor no peito é ansiedade.
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Para ir além
Se quiser se aprofundar no tema, Síndrome do Pânico — Márcio Bernik é uma leitura de referência bem avaliada por quem já leu.
Este texto é informativo e não substitui avaliação de profissional de saúde. Se você está em sofrimento intenso, o CVV atende de graça, 24h, no 188 e em cvv.org.br. Em risco imediato, procure o SAMU 192 ou o pronto-socorro mais próximo.
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