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A primeira crise de pânico costuma parecer infarto — e isso não é exagero

AutorEquipe Não É Só Você
Publicado02 de setembro de 2026
Tempo de Leitura4 min de leitura

Um número expressivo de pessoas com transtorno do pânico teve a primeira crise dentro de um pronto-socorro, convencidas de que estavam infartando. Exames deram normais, e elas saíram de lá aliviadas e confusas — vivas, mas sem entender o que tinha acontecido com o próprio corpo.

Isso não é frescura nem exagero. Uma crise de pânico produz sintomas físicos reais: coração acelerado, falta de ar, aperto no peito, tontura, formigamento, sensação de estar fora do próprio corpo. O corpo está, de fato, em alarme máximo. Só que o perigo não está lá fora.

O que está acontecendo

É o sistema de luta-ou-fuga disparando sem que exista ameaça real. Adrenalina é liberada, o coração acelera para bombear sangue aos músculos, a respiração fica curta e rápida — tudo isso preparado para correr de um predador que não existe.

O pico geralmente acontece entre cinco e dez minutos, e depois diminui. Mas dentro da crise, o tempo parece não passar, e a certeza de morte iminente é convincente o suficiente para levar qualquer pessoa a um pronto-socorro.

O ciclo que sustenta o transtorno

A primeira crise costuma vir do nada. As seguintes, não — e é aí que mora o mecanismo cruel do transtorno.

Depois da primeira crise, a pessoa desenvolve medo da própria ansiedade. Qualquer sinal semelhante — coração acelerando por ter subido escada, calor por estar num ambiente cheio — é interpretado como início de nova crise. Esse medo do medo é o gatilho: a interpretação catastrófica de uma sensação física comum dispara a crise que a pessoa temia.

Com o tempo, muita gente passa a evitar lugares onde já teve crise — metrô, shopping, fila de banco — na tentativa de se proteger. Essa evitação alivia no curto prazo e piora no longo prazo, porque confirma ao cérebro que aquele lugar era mesmo perigoso.

Por que "é só ansiedade" não ajuda

Porque, dentro da crise, o corpo não está mentindo — está reagindo de verdade. Dizer "é só ansiedade" pode soar como "o que você sente não é real", quando na verdade é bem real, só que a leitura da ameaça está errada.

O que costuma ajudar

Nomear o que está acontecendo, no momento. Reconhecer "isto é uma crise de pânico, ela tem pico e passa" tende a reduzir a escalada, porque interrompe a leitura de catástrofe.

Respiração mais lenta que curta. Não é sobre respirar fundo — é sobre alongar a expiração, que ativa o sistema que desacelera o corpo.

Não fugir do lugar sempre que possível. Ficar, mesmo desconfortável, ensina ao cérebro que aquele ambiente não era a ameaça.

Evitar cafeína e estimulantes em excesso, que imitam fisicamente os sintomas de crise.

Quando procurar ajuda

Se as crises se repetem, se você já evita lugares por causa delas, ou se o medo de ter uma crise já organiza sua rotina, vale avaliação com psicólogo ou psiquiatra. O transtorno do pânico responde muito bem a tratamento — particularmente terapia cognitivo-comportamental — e a maioria das pessoas melhora de forma significativa.

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Para ir além

Se quiser se aprofundar no tema, Síndrome do Pânico — Márcio Bernik é uma leitura de referência bem avaliada por quem já leu.


Este texto é informativo e não substitui avaliação de profissional de saúde. Se você está em sofrimento intenso, o CVV atende de graça, 24h, no 188 e em cvv.org.br. Em risco imediato, procure o SAMU 192 ou o pronto-socorro mais próximo.

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