Ele evitava almoçar com colegas há anos. Não era sobre comida — era o medo de terem suas mãos tremendo sendo observadas por alguém.
A festa era só no sábado. Desde terça-feira ela já não conseguia pensar em outra coisa, ensaiando conversas que talvez nunca acontecessem.
Ela era ótima no que fazia. Cada reunião de equipe, porém, era precedida de dias de ansiedade antecipatória que ninguém no escritório sabia que existiam.
Ele só conseguia ir a festas depois de duas doses. Achava que tinha descoberto o segredo. Não tinha percebido que o segredo estava criando um problema novo em cima do antigo.
A professora dizia que ela ia 'melhorar com o tempo'. Três anos depois, a menina ainda não conseguia falar em sala, comer na frente dos colegas ou pedir para ir ao banheiro.
Uma pessoa tímida fica desconfortável e vai à festa. Uma pessoa com fobia social calcula, por dias, como evitar a festa inteira.
Em casa, era falante e engraçada. Na escola, não emitia uma palavra havia dois anos. Muita gente confundia isso com birra ou grosseria.