Ela começou a ter pensamentos e percepções que assustaram a família. Não era 'depressão mais forte'. Era uma emergência médica diferente, que precisava de outro tipo de ajuda urgente.
Ela esperava sentir uma onda de amor no primeiro segundo. Sentiu, principalmente, exaustão e um vazio confuso que a fez duvidar se era 'capaz de ser mãe'.
Ela achava que, por não ter passado pela gravidez, não tinha 'direito' de sentir o que estava sentindo depois que o filho chegou. Tinha, sim — e tinha nome.
Todo mundo dizia que era 'normal chorar depois do parto'. Três meses depois, ela ainda chorava todo dia — e ninguém tinha dito que aquilo já não era mais 'normal'.
Ela não estava triste. Estava em pânico o tempo todo, checando se o bebê ainda respirava, incapaz de relaxar por um segundo sequer. Ninguém tinha falado que isso também tinha nome.
Todo mundo perguntava como ela estava. Ninguém perguntou como ele estava, mesmo ele tendo parado de dormir, de comer direito e de sentir qualquer coisa há semanas.
Ela olhava para o filho recém-nascido e não sentia o que esperava sentir. O silêncio sobre isso é o que mais machuca quem passa por ali.