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Voltar ao blogSíndrome de Tourette

'Para de fazer isso' é a pior coisa que você pode dizer para quem tem Tourette

AutorEquipe Não É Só Você
Publicado03 de setembro de 2026
Tempo de Leitura4 min de leitura

Um dos maiores mal-entendidos sobre síndrome de Tourette é achar que os tiques podem ser simplesmente controlados com esforço de vontade — uma crença que costuma piorar, não melhorar, a experiência de quem vive com a condição.

Por que tiques não são comportamento voluntário comum

Tiques são movimentos ou vocalizações súbitos, repetitivos, que a pessoa sente como impulso quase irresistível de realizar — frequentemente precedidos por uma sensação física desconfortável (chamada sensação premonitória) que só é aliviada com a execução do tique. Isso os torna fundamentalmente diferentes de comportamentos voluntários comuns, mesmo que exista algum grau de supressão possível por período limitado.

Por que supressão forçada tende a sair pela culatra

É possível, até certo ponto, suprimir tiques conscientemente por um tempo — mas isso costuma gerar desconforto físico crescente e, frequentemente, um "efeito rebote": os tiques voltam com mais intensidade depois do período de supressão. Pedir supressão constante ("para de fazer isso") ao longo do dia inteiro tende a aumentar o sofrimento sem eliminar o tique de forma sustentável.

Por que estresse e atenção pioram os tiques

Tiques tipicamente pioram em momentos de estresse, ansiedade, cansaço ou excitação — e, de forma paradoxal, também pioram quando a pessoa está sendo diretamente observada ou comentada sobre eles. Isso cria uma armadilha social real: chamar atenção para o tique ("por que você está fazendo isso?") tende a intensificá-lo justamente no momento em que a pessoa mais gostaria de controlá-lo.

O impacto social de ser mal compreendido

Muita gente com Tourette relata que o julgamento social — olhares, comentários, pedidos repetidos para "parar" — dói mais do que o próprio tique. Isso pode levar a evitação de espaços públicos, isolamento social e ansiedade secundária, agravando o quadro geral muito além do que os tiques, isoladamente, causariam.

O que costuma ajudar

Educar o entorno sobre o que Tourette realmente é, especialmente escola, colegas de trabalho e família estendida — a maior parte do sofrimento evitável vem de reação social mal informada, não do tique em si.

Terapia comportamental específica para tiques (como a Terapia de Reversão de Hábito) pode ajudar a reduzir a frequência e intensidade de alguns tiques, com abordagem estruturada e profissional — não com repreensão informal do dia a dia.

Reduzir estresse geral, já que isso tende a diminuir a intensidade dos tiques de forma mais eficaz do que tentar suprimi-los diretamente.

Não pedir supressão em ambientes cotidianos. Criar espaços onde a pessoa não precise gastar energia mental suprimindo tiques o tempo todo reduz o desgaste acumulado e, paradoxalmente, tende a ajudar no manejo geral.

Quando buscar avaliação

Se tiques motores ou vocais estão presentes de forma persistente, especialmente com múltiplos tipos ao longo do tempo, vale buscar avaliação neurológica ou psiquiátrica especializada. Compreensão correta da condição — pela pessoa, pela família e pelo entorno social — é frequentemente o fator que mais melhora a qualidade de vida, além do tratamento clínico em si.

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Para ir além

Se quiser se aprofundar no tema, Uma Mente Diferente — Temple Grandin é uma leitura de referência bem avaliada por quem já leu.


Este texto é informativo e não substitui avaliação de profissional de saúde. Se você está em sofrimento intenso, o CVV atende de graça, 24h, no 188 e em cvv.org.br. Em risco imediato, procure o SAMU 192 ou o pronto-socorro mais próximo.

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